quinta-feira, 9 de julho de 2015

Quando meus dons afloraram

Imagem de Pixabay
  Quando pequena, nunca fui uma garotinha normal. Sabe, quando se é bruxa, parece que você não é desse mundo, que não é humano e, por mais que tente ser como as outras pessoas e fazer coisas "normais" como elas fazem, a verdade é que você só sente mais esquisita. Pelo menos comigo foi assim. Por mais que eu tentasse me enturmar, percebia que era mais imaginativa e criativa que as outras crianças. Isso admirava algumas poucas e irritava muitas outras. Chegou ao ponto que eu preferi a companhia de crianças mais introvertidas. Pois, ao lado delas, eu podia fingir que as esquisitas eram elas, não eu.
        Conforme fui crescendo, percebi que minha família também não era "normal". Para começar, aprendi com minha avó que a noite era bela e mágica demais para desperdiçá-la dormindo - como as outras pessoas faziam - e que eu não deveria dormir antes da meia-noite porque seria quase como um sacrilégio.
       Quando cheguei à adolescência, pensei que minha avó era apenas uma velha lunática e solitária que inventava histórias porque sofria com insônia e não queria ficar acordada sozinha. No entanto, depois que passei a adorar deusas como Hécate e Dana, entendi a que a minha avó se referia. Não há nada mais belo e mágico que meditar na escuridão de meu jardim sob à luz do luar. Antes, eu morreria de medo de ficar sozinha e no escuro, lá fora. Mas, hoje, aprendi que o ser humano só teme aquilo que não compreende ou desconhece.
       Quando eu era pequena, minha avó costumava realizar "sessões" onde lia o futuro através das cartas, fazia e desmanchava trabalhos e, às vezes, se deixava possuir por espíritos a fim de realizar pactos e obter revelações. Meu irmão e eu éramos proibidos de participar ou presenciar essas "sessões". Então, espiávamos pela janela, fascinados.
         As luzes do cômodo eram apagadas e velas vermelhas ou pretas acesas. Às vezes, algum defumador ou charuto era aceso e aquilo começava.
         Após um tempo, minha avó começou a se sentir perturbada. Segundo ela, os espíritos não queriam ir embora e aquilo se tornou incômodo. Ela precisou realizar um ritual de banimento e ficar de molho por um tempo. Ela passou por uma fase negra e se tornou uma pessoa mais detestável e insuportável que o normal. Não quero dar detalhes, mas ela nos deixou e se mudou para outra cidade. Foi aí no auge de meus oito anos que compreendi que mexer com demônios não era algo bom e que destruía as pessoas. Desde então, eu temi qualquer espírito que fosse angelical.
        Eu gostaria de dizer que minha avó aprendeu a lição e deixou a magia negra de lado, mas isso não aconteceu. Ano após ano, ela se tornou mais forte e perigosa. O seu segredo, eu mataria para descobrir, mas nunca me revelará e sua magia, com ela morrerá.
         

 Eu percebi que ouvia vozes - que ninguém mais ouvia - ainda pequena, quando ouvia alguém que parecia distante, gritar:
- Daniele!
      Eu sempre respondia:
- O quê? - ou - Já vou!
      E minha avó e minha mãe juravam que não haviam me chamado. Até aí, tudo poderia ser apenas um estranho mal entendido, mas não demorou muito e eu logo passei a ouvir vozes quando estava sozinha em casa. Minha mãe recomendou que eu não respondesse mais àquelas vozes e que elas eram algo ruim. Eu fiz o possível para ignorar. E, logo foi o meu irmão quem passou a ouvi-las. O mesmo foi recomendado a ele, ignorar porque aquilo era ruim. E anos depois foi a vez de minha prima ouvi-las. Se não me engano, era sempre quando eu estava por perto, e era estranho demais e os adultos apenas nos mandavam ignorar e diziam também que era a morte nos chamando e responder faria ela nos encontrar. Ah, os adultos! Sempre querendo calar as crianças através do medo... Até que deu certo... Por um tempo! A voz retornou e com mais intensidade quando, numa tarde, eu estava conversando com uma colega do colégio em frente ao salão paroquial que ficava em frente ao nosso colégio e próximo ao convento, ouvi uma voz na minha cabeça - não era meu pensamento -. Parecia mais com uma leve possessão ou uma segunda consciência se fortalecendo em mim. Me deixava confusa e quanto mais eu tentava negá-la mais forte ela ficava. Às vezes, me dizia coisas boas e inteligentes e outras, me dizia coisas ruins.
      "Por que não sobe a escada e se atira lá de cima:"
Dizia a voz e eu respondia:
"Mas vou me machucar ou morrer".
"Não vai, não. Se os garotos conseguem, você também consegue". - Ela me encorajava.
        O salão paroquial tinha uma escadaria do lado de fora - que levava até uma sacada. No topo da escadaria havia o que vou chamar de "rampa". Os garotos mais velhos (os atletas) costumavam saltar lá de cima e cair em pé como gatos. Da sacada, no entanto, ninguém jamais se atreveu a saltar.
         Eu costumava me sentar nos degraus da escada enquanto era tentada por aquela voz. Uma vez, acabei comentando com minha avó a respeito e ela disse que era um espírito ruim que queria que eu me matasse. 
        Foi difícil, mas eu me afastei do salão paroquial e parei de ouvir as vozes.
     Demorei a entender que ouvir vozes era um dom e que era assim que os espíritos se comunicavam comigo. Eu tive de aprender a diferenciar os bons dos maus conselhos e compreender que não ouvia sempre os mesmos espíritos. Por exemplo, quando eu tinha por volta dos nove anos, ouvi sem querer minha mãe revelar um segredo que me revoltou. Eu estava prestes a confrontá-la por isso, quando uma voz sábia e amorosa me explicou porque minha mãe fez aquilo e porque escondeu a verdade de mim. Eu tenho certeza que era meu anjo da guarda porque eu era muito nova para entender a complexidade de um assunto tão delicado quanto aquele e aquela voz me deu a calma e a compreensão que eu tanto necessitava.
        Ainda ouça a voz de meu guardião celeste, mas em raras ocasiões. Diferente dos outros espíritos, os anjos pouco intervém nas decisões humanas.
        Quando contatei as ninfas - eu já devia ter uns dezesseis anos, mais ou menos -, aprendo a "sentir" a energia e, dessa forma, perceber se havia ou não algum espírito por perto e se este era ou não do bem. Como aprendiz de feiticeira, eu encontrei dificuldades na hora de manipular esse poder. Na magia ou você domina um dom ou ele te domina. Eu quase fui dominada pelo meu dom, mas depois de muita dificuldade, hoje, estou aprendendo a deixá-lo em "off". Quando se deixa um dom em off, não necessariamente o desliga. É mais ou menos como fechar os olhos ou tampar os ouvidos. E mesmo com os olhos fechados, às vezes, é possível perceber quando a luminosidade do ambiente aumenta ou diminuí... Da mesma forma, mesmo com nosso dom em Off, vez ou outra, alguma coisa sempre escapa através do veú.


Foi através das ninfas que minha clariaudiência (o poder de ouvir vozes) se intensificou significativamente. Como não havia treinado ainda a Visualização não conseguia ver os espíritos materializados, por isso, a única forma de eles entrarem em contato comigo era através de sons (palmas, estalos, assobios, etc) ou de palavras. 
      Elas chamavam a minha atenção através de sons vocais como "psiu", e também chamando o meu nome.
     Certa vez, minha mãe saiu para ir ao trabalho - como todas as manhãs -, eu fechei o portão e voltei para a cama. Mal me deitei e ouvi minha mãe gritar por mim. Me levantei apressada, pensando que ela havia esquecido alguma coisa, mas, quando abri o portão, ela não estava lá. As ruas estavam desertas... Achei aquilo muito estranho.
         Depois, as vozes se modificaram e eu ouvia uma voz sedutora me chamando.
- Dani?
- Vem cá, Dani!
       Isso quando não ouvia risos....
    À esquerda de minha casa, mora um casal de idosos e à direita tem uma casinha que vive fechada (o dono dela só aparece uma vez ao mês para ver se está tudo ok, podar as plantas e etc), por isso, não poderia ser nenhum vizinho me zoando. Tampouco seria minha imaginação, pois minha avó já ouviu "psiu" várias vezes quando esteve no jardim. Eu não tinha ideia do que era aquilo! Tamanha minha estupidez, eu havia feito um ritual para contatar as ninfas quando não fazia a menor ideia de que como elas eram ou que estavam tão próximas a mim. Mas, quando li em um livro sobre elementais da terra que havia ninfas que viviam em árvores, eu fiquei espantada. Foi como quando o Celbit estava jogando Amor Doce, entrou no grêmio, viu aquelas sombras na janela e disse:
- Meu deus! Estou vigiado!
     Eu só sabia que tinha espíritos nas plantas do jardim e ao mesmo tempo que ficava aliviada - porque acreditava que elas não poderiam se mover além das plantas, uma vez que eram as almas delas -, ficava receosa de sair para fora, especialmente a noite. E certos filmes de terror com bacantes não ajudavam muito...
        Só depois de MUITO tempo é que perdi o medo delas e, hoje, até durmo no jardim, se deixarem.

     

 No entanto, VER espíritos é mais assustador que senti-los ou ouvi-los. Normalmente, a gente pensa que só se assusta com visões de monstros, fantasmas ou demônios, mas não é bem assim. A gente se surpreende quando vê algo inesperado.
    Ver vultos pelos cantos dos olhos, todo mundo vê e não há nada de anormal nisso. Aliás, a Ciência explica que qualquer coisa que vemos por esse ângulo é interpretada de forma inequívoca pelo nosso cérebro.
    As coisas que vi não foram meros vultos. Apareceram bem na minha frente e duraram tempo o suficiente para que eu não duvidasse da autenticidade do fenômeno. Sabe quando você vê alguma coisa sólida e real se movendo no escuro... Algo como uma pessoa? Mesmo que não a enxergue perfeitamente - como enxergamos na luz -, você sabe que ela está lá e pode ver sua forma, certo? Foi assim comigo. No momento, não que pensei que fosse algo sobrenatural, porque, mesmo que eu não ousasse tocar naquilo, aquilo me parecia bem real. Foi assustador! 
        Não sei se algum dia vou me acostumar a ver espíritos; Me acostumei a sentir a presença deles - embora, ainda me estresse muito - e a ouvi-los, mas vê-los ainda me deixa muito  um pouco assustada. Tenho esperanças de que isso mude, já que adoraria ver as ninfas materializadas bem em minha frente. Seria legal ver e ao mesmo tempo falar com elas. ©

domingo, 7 de junho de 2015

Não desista da vida

Gostaria de compartilhar uma experiência minha com vocês. Ok. Foi um sonho, mas não foi só um sonho. Para mim, teve grande significado e me fez levantar de vez e sair do buraco no qual eu me afundava dia após dia... Estou bem agora e nunca me senti tão viva!


    No dia 03/06 sonhei com um rapaz branco, de cabelos curtos e negros. Ele estava vestido de preto, com uma roupa moderna. Sua pele era muito pálida, quase translúcida . Ele me levou a um lugar sombrio e melancólico. Parecia um dos infinitos salões do Hades e, talvez fosse mesmo. Era uma sala onde almas atormentadas se arrastavam pelo chão, como vermes. Seus pecados eram tantos que refletiam em sua aparência física, os deixando disformes e um tanto assustadores. Eles estavam chorando e famintos.
    Havia também uma figura, que usava uma capa negra de capuz. Esse parecia um ceifeiro, mas estava claro que ele era um tipo de guardião ou algo do tipo. Sua presença impunha respeito. Ele vigiava aquelas almas e as alimentava com carne crua, que ele trazia em um balde de alumínio. Os pedaços de carne eram grandes, mas não satisfaziam nenhuma daquelas pessoas e elas queriam mais e mais... Era agonizante vê-las desesperadas. Se arrastando e implorando por mais.
     O homem da capa preta, prendeu o balde, usando uma corda, que estava presa em algum lugar no teto. Em seguida, ele se aproximou de mim e me disse que se eu decidisse morrer, ele me receberia ali. Ele abriu os braços como se me convidasse a abraçá-lo. Entendi que ele era a morte. Abaixei a cabeça e disse:
- Tudo bem.
     Ele disse que eu poderia comer daquela carne. 
Eu me aproximei do balde e olhei para a carne crua e cheia de sangue. Parecia carne de frango, mas eu sabia que não era. E, também sabia que se eu comesse da comida dos mortos, eu morreria. Mas recusar, poderia ofendê-los. Então, eu peguei um pedaço pequeno e fingi comê-lo. O homem de capuz se afastou de mim. Uma das almas atormentadas se aproximou de mim e agarrou meu tornozelo, implorando para que eu lhe desse um pedaço de carne. Olhei para o rapaz que me levara para aquele lugar. Ele parecia muito aborrecido e me disse:
- Esse era meu amigo...
      Eu joguei o meu pedaço para aquele homem.
As outras almas se arrastavam na minha direção, me pedindo mais...
- Mais...
- Mais...
- Nos dê mais...
Eu meti as duas mãos no balde. Peguei as carnes e joguei para eles. Depois, me aproximei do rapaz que me levara até ali e peguei sua mão. Ele me tirou daquele lugar e me levou para um campo verdejante.
    Enquanto, nós dois conversávamos, eu via os elfos, muito ocupados em seus afazeres domésticos... Parecia que estávamos numa dimensão paralela e ninguém mais nos visse.
    O rapaz me contou que tirou a própria vida e que se arrependia muito porque, ele ficara preso naquele lugar horrível que ele me mostrara, embora, agora estivesse em um lugar melhor. Ele me encarou e pediu para que eu não fizesse o mesmo que ele, que não tirasse minha vida porque eu me arrependeria depois.
      Eu comecei a chorar e disse que não prometeria, já que não encontrava razões para continuar viva, mas que tentaria...
      Ele também chorou e disse que eu deveria tentar.
Eu acordei, em seguida.



    Sobre esse sonho, eu não quero falar muito a respeito. Só que eu na noite anterior a ele eu estava muito triste, me lembrando do meu pai, sentindo a falta dele e me perguntando porque ele morreu e me deixou, porque ele não me levou com ele... E desejei tirar a minha própria vida. Eu sei que isso é horrível! Não pensem que não sinto vergonha disso ou que quero chamar a atenção. Não é nada disso. Não o tipo de garota que se corta ou fica de teatrinho. Se eu quisesse chamar a atenção, gravava logo um vídeo e postava no you tube. Não é nada disso! Acontece que tinha um vazio enorme na minha alma. Aconteceu algo comigo que eu nunca contei para ninguém. Não com todas as palavras... E eu tenho de guardar isso só para mim porque ninguém entenderia. Mas eu superando isso. Já faz um ano ou dois... Eu perdi uma parte de mim e aos poucos fui perdendo a vontade de viver... Mas agora, eu sinto que é hora de seguir em frente. De sepultar minha dor, de me abrir para o novo e esperar que o futuro seja melhor que o ontem. De verdade, estou bem. Só postei isso, para que se alguém, passar por um momento difícil, perder um parente ou por qualquer motivo que for, pensar em desistir, reconsiderar. Pense que você deve ser importante para alguém... E mesmo se não for, você não tem o direito de por fim a algo que não iniciou. Se os deuses te colocaram aqui, algum motivo tem. Mesmo que, no momento, tudo pareça nebuloso e confuso.
     Sempre que eu pensar em desistir da vida, vou me lembrar daquele rapaz, que veio do além só para me dizer para não desistir da vida. 
   Não importa se foi só um sonho! Para mim, foi muito significativo. Alguém se importa! E eu me emociono só de me lembrar disso. Só posso orar por essa alma bondosa que não merece estar num lugar tão obscuro. E, pensar que eu sempre tive medo dos mortos... Eles não são diferentes de nós. São apenas criaturas solitárias e tristes (não todos, mas muitos...).

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O que as bruxas me ensinaram

     Há algum tempo atrás, eu estava arrasada e me sentia uma tola, amaldiçoada e sentia que minha vida era um completo fracasso e que tudo o que eu fazia dava terrivelmente errado... Especialmente, quando eu tentava fazer a coisa certa. Eu só queria me esconder de tudo e todos e chorar, então, adormecer e não acordar tão cedo. Eu só queria que a dor passasse, mas ela não passava de jeito nenhum. E eu me perguntava "por que"? Por que a dor não passava? Por que eu me sentia tão estúpida? Por que eu não conseguia levantar a cabeça e seguir em frente? 
      Mesmo chorando e sangrando, eu continuava sorrindo... Tentando ser forte. Tentando acreditar que eu era forte!
      Meus amigos perceberam e tentaram me consolar. Eu disse que ficaria bem, que sobreviveria. Até que uma garota que conheci, há um ano, se não me engano, me chamou no chat do Face. Eu gostaria de escrever o nome dela aqui, mas não sei se ela gostaria disso e não quero aborrecê-la. Por isso vou me referir a ela, usando apenas a inicial de seu nome, "G".
      "G" é uma bruxa de verdade, com dons muito especiais. Algumas pessoas nascem assim, outras tem de estudar MUITO para algum dia, chegar a esse nível. "G" nasceu assim. E, em poucos minutos falando comigo, ela conseguiu tocar minha alma como ninguém, até então, havia tocado. Era mágico a forma como ela me descrevia - como se me conhece há anos e fosse minha mais fiel confidente -, me aconselhava e tudo o mais. Ela é tão sábia para a sua idade. Tão poderosa.... Conseguiu me enviar energia mesmo a distância, através da "Tecnomagia" (arte e ciência de mesclar magia e tecnologia). Me senti renovada ao falar com ela, a bruxa que tão gentilmente e sem pedir nada em troca me doou sua energia e seu afeto.
     Ela conseguiu me deixar como uma completa tola, sem palavras! E tudo o que achava que sabia, de repente não fazia sentido ou era pouco perto do que ela me ensinava. Foi algo indescritível. Foi mais ou menos como encontrar e conversar com um anjo e tentar relatar essa experiência mágica tentando mostrar através das palavras o quão mágico esse momento foi. É impossível, eu sei! Mas eu precisava, de alguma forma, compartilhar isso com vocês.
        Desenvolvi uma estranha "ligação" com "G" (se é que posso chamar assim) e, tenho sentido a presença dela em momentos em que mais preciso de apoio ou conselhos. Inclusive, me peguei algumas vezes, dizendo:
- Boa noite, "G". - Antes de dormir.
     Ela sentiu isso, por incrível que pareça!
Certo dia, estava no jardim e olhei para a janela do quarto e vi uma mulher alta demais me olhando de volta. Era mais uma imagem borrada que qualquer coisa. Eu me assustei a princípio, mas me lembrei das palavras de "G", que se eu visse uma mulher alta nos próximos dias, seria ela. Então, sorri e disse:
- Oi, "G".
     Senti como se meus poderes - que eu lutava para manter adormecidos - despertassem com força total e vi, senti e ouvi coisas inacreditáveis, numa intensidade surreal. Por isso, "G" ganhou meu respeito e minha admiração pra sempre.
     Perto dela, eu sou apenas uma menina brincando de ser feiticeira!
 
      "G" me disse (não exatamente com essas palavras) que nossos dons, por mais assustadores que sejam, nos fazem ser quem realmente somos. E que sem eles, restaria um vazio que não poderia ser preenchido. E, que mesmo ela sofrendo por ser uma necromante, ela se sentia bem assim, no fim das contas. Pode parecer confuso e sem sentido à primeira vista, mas se você olhar direito, vai entender o que essas palavras significam. É como um teaser de American Horror History - Freak Show. Parece uma coisa, mas é outra. Tudo bem, se não entender. Eu entendo!
        Percebi que, ao invés de ser corajosa como "G", eu passei minha vida toda tentando negar quem eu realmente sou e tudo o que posso fazer por medo de ser diferente. Eu não pedi para ver, ouvir ou sentir essas coisas... Eu só queria ser uma garota normal, cujas preocupações são espinhas e paqueras. Mas não sou assim e é hora de tentar aceitar isso. Embora, seja difícil, eu confesso! Nos últimos meses, pedi a deusa Hécate que retirasse meus poderes e tentei ao máximo me afastar da magia porque estava cansada, porque queria que as pessoas gostassem de mim não pelo fato de me verem como uma Bonnie, mas como uma garota normal. Foi muito difícil não me valer de magia em certas ocasiões, mas por outro lado, foi bom porque eu passei por muita coisa e senti-me tentada a destruir todos os que me magoaram. Eu sou meio como o Stefan Salvatore, anoto os nomes das pessoas que me fizeram mal em um caderninho (não é um Death Note, ou algo do tipo, eu juro!) e nos momentos mais obscuros, eu fico imaginando o que de mal eu poderia fazer a essas pessoas.... Torturá-las... Atormentá-las... Enlouquecê-las... Matá-las? Eu imagino tanta coisa, mas sempre ouço o meu anjo da guarda soprar em meu ouvido:
    "Perdoe eles".
 Eu sempre mando ele se catar, mas sempre o ouço. Afinal, ele sabe das coisas! 
     Haviam três pessoas na minha listinha de desafetos, mas agora há quatro.
  Só a deusa sabe o quanto desejei fazer mal a essas pessoas, todas as vezes em que folheei o grimório da minha mãe, mas minha avó fez algo que me fez pensar melhor sobre meus atos e se valia mesmo a pena me vingar ao invés de perdoar. Primeiro, ela fez uma magia contra a minha prima. A deixando muito doente com uma paralisia que os médicos não sabiam a causa, mas eu sabia! Minha avó se irritou com minha prima quando a foi visitar e a cumprimentou. Minha prima não respondeu (ela tem esse costume escroto de ignorar os outros, às vezes, e inclusive, foi por isso, que briguei com ela) e minha avó se irritou. Quando viu minha doente, se arrependeu e quis desmanchar o que fizera. Mas sua magia é negra e ela não pode fazer o bem nem querendo. Restou a mim, fazer um ritual a deusa Dana para que ela curasse minha prima. Dois dias depois, ela saiu do hospital e voltou para a casa. Minha prima não sabe que eu fiz o ritual, mas tudo bem. Mesmo que ela nunca saiba, eu sempre vou protegê-la. Não importa o quanto a gente brigue, porque eu a amo.
      Na semana passada, minha avó veio aqui em casa, nos visitar e um dos meus três irmãos ( o qual eu não me dou bem), cometeu o mesmo erro que minha prima e ignorou minha avó. Isso foi o bastante para ela rogar uma praga nele. Um dia depois que ela partiu, ele ficou com dois furuncos num lugar que... Nossa! O impede de se sentar direito. Teve de andar de pernas abertas e sangrava muito. Nojento e assustador!
       Estou assustada com os poderes de minha avó. Ultimamente, eles aumentaram assustadoramente e ela não precisa mais de velas ou poções. Basta sua palavra! 
    Ela ainda me pediu para eu entregar minha listinha a ela que ela cuidaria das pessoas que estavam nela, por mim. Mas eu achei melhor não! Mesmo odiando certos filhos da mãe, eu pensei em seus parentes que não tem nada a ver com a história ou com o mal que eles me causaram. Refleti muito e percebi que não quero ser como a minha avó, que sinto medo dela e meço cada palavra que dirijo a ela, para não zangá-la. Isso é terrível demais!
      Prefiro me inspirar em "G"  e ser uma boa pessoa e usar meus dons para ajudar e não prejudicar os outros.
     O bom dessas minhas experiências é que eu comprovei duas coisas muito importantes; a primeira é que a magia negra tem um alto preço e uma vez que você a lance, não pode voltar atrás. Pensem... Ninguém na minha família é do tipo que vai a igreja e faz boas ações, então, se eu não fosse uma wicca, o que seria de minha prima? A garota teria continuado sofrendo com um mal que ninguém entendia o que era ou como tratar? 
      A segunda coisa é que, eu tenho uma missão e não devo ignorá-la. Eu devo fazer o que as deusas esperam que eu faça e não continuar fugindo de quem sou e o que devo e posso fazer. 
     A magia negra corrompe a alma humana e uma vez que você mergulha nela de cabeça, dificilmente há volta! Afinal, para que jogar limpo se você pode e sabe trapacear? Para que perdoar se você humilhar? É esse pensamento que obscurece as almas de muitas pessoas que conheço. Não posso salvar minha avó, porque já é tarde demais para ela, mas minha mãe eu tenho salvado há tempos, mesmo sem ela saber e vou continuar salvando-a e salvando a mim mesma porque eu escolho o caminho da luz. Escolho ser uma wicca!

domingo, 16 de novembro de 2014

Talismãs e amuletos




   Desde os tempos mais remotos, as pessoas tem cultuado os mais diversos tipos de objetos, atribuindo-lhes funções, como, por exemplo, proteger, atrair a fortuna ou satisfazer pedidos.
    No entanto, talismãs e amuletos não são a mesma coisa.
     Os talismãs são ativos e dinâmicos, características que os tornam semelhantes a uma espada.
    Os amuletos, ao contrário, são objetos capazes de neutralizar as energias negativas, agindo como proteção e podendo ser, simbolicamente, comparados a um escudo. Em resumo, pode-se dizer que a força ativa do talismã ataca, enquanto a força passiva do amuleto defende.


Tipos de talismãs


Chave -  Representa força e inteligência para assimilar o passado, condições essenciais para abrir as portas do futuro.

Coração - Segundo os egípcios, o coração é o lugar onde habita a alma. Para evitar que ela escape ou seja atacada, o coração precisa estar protegido pela força de um talismã que tenha a sua forma, garantindo, assim, força espiritual e felicidade.

Cruz alçada - Composta por uma cruz com uma alça na parte superior, era o símbolo da vida no Egito Antigo. Dá conhecimento, poder e abundância a quem o usa.

Escaravelho -  Esse símbolo deriva do besouro, muito comum no Egito, e quem o usar terá boa saúde e vida longa.

Ferradura - Um dos talismãs mais conhecidos, é portador de boa sorte e dinheiro.
   Atenção: Uma ferradura deve ter sempre sete furos.

Lua Crescente - Era usado pelas mulheres romanas para afastar os maus espíritos da Lua, que provocam histeria, desilusões e loucura. Como talismã traz sorte no amor.

Número 13 - Tradicionalmente considerado um número de azar, ele é também tido como portador de boa sorte.

Pentagrama - Essa estrela de cinco pontas tem poderes misteriosos e é usada principalmente contra a bruxaria.

Serpente - Animal que sempre impressionou vivamente as pessoas, a serpente possui várias representações simbólicas, que tem em comum uma constatação: Ela traz sabedoria, vitalidade e inteligência a quem usá-la como talismã.
   A serpente mordendo a própria cauda - muito usada em anéis e pulseiras - é, portanto, excelente para estudantes.

Sino - Antigamente, era usado para afugentar demônios, pois acreditava-se que eles tinham medo dos sons muito fortes. Até hoje, as pessoas acham que eles impedem as forças do mal de se aproximarem. Por isso, como talismã, o sino é usado para afastar as energias negativas.

Trevos de 4 folhas - Segundo a tradição, encontrar esse trevo traz sorte. Como talismã, é portador de felicidade e fortuna.

Outros talismãs para atrair a boa sorte - Figa, chocalho de cascavel, galho de arruda, coruja, imagem de Buda.


Amuletos

 

   Entre os amuletos mais conhecidos estão as pedras, preciosas ou não. Cada uma delas possui uma "personalidade" e energiza seu portador com uma energia especial.
    As pedras também protegem contra os opostos de suas propriedades positivas, quer dizer, aquela  que dá amor, ao mesmo tempo, protege contra o ódio.

Ágata preta - Dá coragem e valor, favorece a prosperidade.

Ágata rosa - Traz calma e paz.

Água- marinha - Pedra da juventude, da esperança e da saúde.

Ametista - Acalma o coração.

Carbúnculo - Dá resolução, energia, confiança em si mesmo e bem-estar físico.

Coral - Traz dedicação e afeto.

Crísoberilo - Favorece a inteligência e a cautela.

Diamante - Garante o afeto e a fidelidade, assim como a cordialidade e a sinceridade.

Diaspório - Dá prazer e felicidade.

Esmeralda - Favorece o amor e a sensualidade.

Granada - Dá energia, poder de decisão, fidelidade e simpatia.

Lápis-lazúli - Traz capacidade de ação e sucesso.

Malaquita - Consola de um amor infeliz e acalma os desejos.

Olivina - Dá modéstia, simplicidade, prazer e felicidade.

Ônix - Afasta os pesadelos e as desgraças.

Opala - Favorece a segurança e a fidelidade.

Pérola - Dá pudor e pureza; quando é usada por quem não a merece, traz lágrimas.

Rubi - Favorece o amor, dá beleza e intuição, garante o sucesso.

Safira - Conserva a castidade e protege a virtude.

Selenita -  Dá nobreza à vida sentimental, esperança e pureza.

Topázio - Garante o amor, o afeto e a simpatia.

Turquesa - Dá coragem que leva à vitória.


Praticando a visualização


Imagem de cocoparisienne  por Pixabay


  A visualização é uma da mais eficientes práticas mágicas e é muito simples de realizar, embora exija bastante concentração. Quando se cria o pensamento com fé, cria-se também o terreno para a sua realização.

I - O Perdão


  Aprenda a perdoar quem o ofendeu, pois o perdão dissolve o ressentimento e o liberta do passado.

Como fazer:


   Acenda um incenso, se quiser, e sente-se numa posição confortável. Feche os olhos e deixe que seu corpo e sua mente relaxem.
   Imagine que você está na plateia de um teatro. No pequeno palco à sua frente, ponha uma pessoa da qual guarda ressentimentos. Pode ser alguém do presente ou passado, vivo ou morto, que ainda está na sua vida ou não. 
   Você vê essa pessoa com nitidez, iluminada pelos holofotes. Preste atenção ao jeito dela, à roupa que está vestindo. Visualize coisas boas lhe acontecendo. Veja-a sorrindo e feliz. Mantenha essa imagem por alguns momentos. Se quiser, suba ao palco para abraçá-la. Depois, deixe que ela desapareça lentamente.
    Quando ela sair do palco, coloque-se no mesmo lugar. Veja coisas boas acontecendo a você, também. Veja-se sorrindo e feliz.
   
   Esta visualização ajuda a perdoar e tomar consciência de que a abundância do Universo está disponível para todos nós.

II - A Vingança


   Muitas vezes, a raiva que você sente é tão grande que você sente é tão grande que você não consegue perdoar. O melhor, nesses casos, é vingar-se, para, então, sentir-se livre para perdoar.

   Acenda um incenso, se quiser, e sente-se em uma posição confortável. Feche os olhos e deixe que seu corpo e sua mente relaxem.
    Pense na pessoa que o ofendeu e veja-a à sua frente. O que você gostaria de fazer com ela? Imagine a situação em detalhes. Não economize sofrimento: Você só terá essa oportunidade! E ninguém vai ficar sabendo, nem você precisará pagar por isso.
   Quando acabar de "torturá-la", faça com que ela se sente à sua frente e converse com ela. Conte-lhe como você se sentiu com o que ela lhe fez e também enquanto vingava-se dela. Diga-lhe que, agora, vocês estão quites e você está pronto para perdoá-la. Para terminar,  abrace-a com amor. Não se preocupe se não conseguir abraçá-la e perdoá-la na primeira vez. Às vezes, a mágoa é tão grande que precisa ser dissolvida aos poucos... Não desista... Ao contrário, tente várias, até conseguir. Lembre-se: Quem irá lucrar com isso é você mesmo.

III - O amor


   O amor que existe em nosso coração é tão grande que apenas uma pessoa sozinha curar o planeta. Por que estamos usando com tanta economia? Ele não vai acabar, ao contrário, é dando que recebemos mais amor.
   Vamos, então, plantá-lo em todas as terras, para que se multiplique, regá-lo com todas as águas, para que cresça, queimá-lo em todos os fogos para que se purifique, espalhá-lo pelos quatro cantos da terra para que leve a nossa mensagem e possa ser doado a cada pessoa que cruzar o nosso caminho. Vamos usá-lo para enfeitar e alegrar a nossa vida.

   Visualize uma estrada. Imagine-a do jeito que quiser. Enfeite-a com todas as flores e cores ou com todas as pedras e o pó que conseguir. Veja que por ela vem vindo uma criança de três ou quatro anos. Repare bem nela: Como está vestida, como se comporta. Perceba como ela se sente sozinha e confusa naquele lugar desconhecido...
    Quando ela chegar perto de você, olhe-a bem nos olhos. Sinta a sua tristeza... Veja como ela se sente abandonada... As lágrimas que lhe escorrem pelo rosto... Ela estende os bracinhos para você. Abra os braços e receba-a com amor. Aperte a criança trêmula contra o seu peito. Abrace-a com carinho, beije-a com ternura, acalente-a no colo e sinta o seu coração se enchendo de amor. Diga a ela que você a ama e que ela é importante pra você. Admire tudo o que ela é, tudo o que ela faz, tudo o que existe nela e diga-lhe que não há mal nenhum em se cometer erros quando se está aprendendo. Prometa-lhe, que, aconteça o que acontecer, você sempre a apoiará.
   Agora, deixe que ela fique pequenina, tão pequena que caiba no seu coração. Coloque-a dentro dele com o rostinho virado para você, para que possa olhá-la nos olhos e dar-lhe muito amor.
   Agora, imagine novamente a mesma situação, mas substitua esta criança sem rosto por alguém conhecido. Você pode começar repetindo o exercício com seus pais, mas também pode fazer essa magia com todas as pessoas que você conhece.


Fonte: Tudo O Que Uma Jovem Bruxa Precisa Saber, de Regina Drummond

Sortilégio para proteção

   Proteja-se contra pessoas invejosas, ciumentas e com energia negativa em geral, fazendo este pó mágico.

Ingredientes:

Polvilho azedo
Pimenta-do-reino
Alho
Sal
Páprica
Curry

Como fazer:

Em uma noite de Lua Minguante, misture todos os ingredientes, que deverão estar em pó, pedindo proteção aos seus guardiões. Coloque-os dentro de um envelope ou em um papel branco e dobre-o quatro vezes. Deixe-o em um lugar de destaque, na sala de visitas de sua casa, mas não diga a ninguém o que é aquilo e se possível, impeça que o toquem. Pode deixá-lo escondidinho, atrás de um bibelô, por exemplo.

Magia contra o mau-olhado

Você vai precisar de:
33 pedrinhas de sal grosso
Um copo virgem
Água

Como fazer:
   Pegue as pedrinhas de sal  grosso e jogue em um copo que nunca tenha sido usado antes. Acrescente água filtrada ou fervida e deixe no sereno por três noites. Em seguida, molhe com essa água os quatro cantos de sua casa.