quarta-feira, 22 de abril de 2015

O que as bruxas me ensinaram

     Há algum tempo atrás, eu estava arrasada e me sentia uma tola, amaldiçoada e sentia que minha vida era um completo fracasso e que tudo o que eu fazia dava terrivelmente errado... Especialmente, quando eu tentava fazer a coisa certa. Eu só queria me esconder de tudo e todos e chorar, então, adormecer e não acordar tão cedo. Eu só queria que a dor passasse, mas ela não passava de jeito nenhum. E eu me perguntava "por que"? Por que a dor não passava? Por que eu me sentia tão estúpida? Por que eu não conseguia levantar a cabeça e seguir em frente? 
      Mesmo chorando e sangrando, eu continuava sorrindo... Tentando ser forte. Tentando acreditar que eu era forte!
      Meus amigos perceberam e tentaram me consolar. Eu disse que ficaria bem, que sobreviveria. Até que uma garota que conheci, há um ano, se não me engano, me chamou no chat do Face. Eu gostaria de escrever o nome dela aqui, mas não sei se ela gostaria disso e não quero aborrecê-la. Por isso vou me referir a ela, usando apenas a inicial de seu nome, "G".
      "G" é uma bruxa de verdade, com dons muito especiais. Algumas pessoas nascem assim, outras tem de estudar MUITO para algum dia, chegar a esse nível. "G" nasceu assim. E, em poucos minutos falando comigo, ela conseguiu tocar minha alma como ninguém, até então, havia tocado. Era mágico a forma como ela me descrevia - como se me conhece há anos e fosse minha mais fiel confidente -, me aconselhava e tudo o mais. Ela é tão sábia para a sua idade. Tão poderosa.... Conseguiu me enviar energia mesmo a distância, através da "Tecnomagia" (arte e ciência de mesclar magia e tecnologia). Me senti renovada ao falar com ela, a bruxa que tão gentilmente e sem pedir nada em troca me doou sua energia e seu afeto.
     Ela conseguiu me deixar como uma completa tola, sem palavras! E tudo o que achava que sabia, de repente não fazia sentido ou era pouco perto do que ela me ensinava. Foi algo indescritível. Foi mais ou menos como encontrar e conversar com um anjo e tentar relatar essa experiência mágica tentando mostrar através das palavras o quão mágico esse momento foi. É impossível, eu sei! Mas eu precisava, de alguma forma, compartilhar isso com vocês.
        Desenvolvi uma estranha "ligação" com "G" (se é que posso chamar assim) e, tenho sentido a presença dela em momentos em que mais preciso de apoio ou conselhos. Inclusive, me peguei algumas vezes, dizendo:
- Boa noite, "G". - Antes de dormir.
     Ela sentiu isso, por incrível que pareça!
Certo dia, estava no jardim e olhei para a janela do quarto e vi uma mulher alta demais me olhando de volta. Era mais uma imagem borrada que qualquer coisa. Eu me assustei a princípio, mas me lembrei das palavras de "G", que se eu visse uma mulher alta nos próximos dias, seria ela. Então, sorri e disse:
- Oi, "G".
     Senti como se meus poderes - que eu lutava para manter adormecidos - despertassem com força total e vi, senti e ouvi coisas inacreditáveis, numa intensidade surreal. Por isso, "G" ganhou meu respeito e minha admiração pra sempre.
     Perto dela, eu sou apenas uma menina brincando de ser feiticeira!
  
 
      "G" me disse (não exatamente com essas palavras) que nossos dons, por mais assustadores que sejam, nos fazem ser quem realmente somos. E que sem eles, restaria um vazio que não poderia ser preenchido. E, que mesmo ela sofrendo por ser uma necromante, ela se sentia bem assim, no fim das contas. Pode parecer confuso e sem sentido à primeira vista, mas se você olhar direito, vai entender o que essas palavras significam. É como um teaser de American Horror History - Freak Show. Parece uma coisa, mas é outra. Tudo bem, se não entender. Eu entendo!
        Percebi que, ao invés de ser corajosa como "G", eu passei minha vida toda tentando negar quem eu realmente sou e tudo o que posso fazer por medo de ser diferente. Eu não pedi para ver, ouvir ou sentir essas coisas... Eu só queria ser uma garota normal, cujas preocupações são espinhas e paqueras. Mas não sou assim e é hora de tentar aceitar isso. Embora, seja difícil, eu confesso! Nos últimos meses, pedi a deusa Hécate que retirasse meus poderes e tentei ao máximo me afastar da magia porque estava cansada, porque queria que as pessoas gostassem de mim não pelo fato de me verem como uma Bonnie, mas como uma garota normal. Foi muito difícil não me valer de magia em certas ocasiões, mas por outro lado, foi bom porque eu passei por muita coisa e senti-me tentada a destruir todos os que me magoaram. Eu sou meio como o Stefan Salvatore, anoto os nomes das pessoas que me fizeram mal em um caderninho (não é um Death Note, ou algo do tipo, eu juro!) e nos momentos mais obscuros, eu fico imaginando o que de mal eu poderia fazer a essas pessoas.... Torturá-las... Atormentá-las... Enlouquecê-las... Matá-las? Eu imagino tanta coisa, mas sempre ouço o meu anjo da guarda soprar em meu ouvido:
    "Perdoe eles".
 Eu sempre mando ele se catar, mas sempre o ouço. Afinal, ele sabe das coisas! 
     Haviam três pessoas na minha listinha de desafetos, mas agora há quatro.
  Só a deusa sabe o quanto desejei fazer mal a essas pessoas, todas as vezes em que folheei o grimório da minha mãe, mas minha avó fez algo que me fez pensar melhor sobre meus atos e se valia mesmo a pena me vingar ao invés de perdoar. Primeiro, ela fez uma magia contra a minha prima. A deixando muito doente com uma paralisia que os médicos não sabiam a causa, mas eu sabia! Minha avó se irritou com minha prima quando a foi visitar e a cumprimentou. Minha prima não respondeu (ela tem esse costume escroto de ignorar os outros, às vezes, e inclusive, foi por isso, que briguei com ela) e minha avó se irritou. Quando viu minha doente, se arrependeu e quis desmanchar o que fizera. Mas sua magia é negra e ela não pode fazer o bem nem querendo. Restou a mim, fazer um ritual a deusa Dana para que ela curasse minha prima. Dois dias depois, ela saiu do hospital e voltou para a casa. Minha prima não sabe que eu fiz o ritual, mas tudo bem. Mesmo que ela nunca saiba, eu sempre vou protegê-la. Não importa o quanto a gente brigue, porque eu a amo.
      Na semana passada, minha avó veio aqui em casa, nos visitar e um dos meus três irmãos ( o qual eu não me dou bem), cometeu o mesmo erro que minha prima e ignorou minha avó. Isso foi o bastante para ela rogar uma praga nele. Um dia depois que ela partiu, ele ficou com dois furuncos num lugar que... Nossa! O impede de se sentar direito. Teve de andar de pernas abertas e sangrava muito. Nojento e assustador!
       Estou assustada com os poderes de minha avó. Ultimamente, eles aumentaram assustadoramente e ela não precisa mais de velas ou poções. Basta sua palavra! 
    Ela ainda me pediu para eu entregar minha listinha a ela que ela cuidaria das pessoas que estavam nela, por mim. Mas eu achei melhor não! Mesmo odiando certos filhos da mãe, eu pensei em seus parentes que não tem nada a ver com a história ou com o mal que eles me causaram. Refleti muito e percebi que não quero ser como a minha avó, que sinto medo dela e meço cada palavra que dirijo a ela, para não zangá-la. Isso é terrível demais!
      Prefiro me inspirar em "G"  e ser uma boa pessoa e usar meus dons para ajudar e não prejudicar os outros.
     O bom dessas minhas experiências é que eu comprovei duas coisas muito importantes; a primeira é que a magia negra tem um alto preço e uma vez que você a lance, não pode voltar atrás. Pensem... Ninguém na minha família é do tipo que vai a igreja e faz boas ações, então, se eu não fosse uma wicca, o que seria de minha prima? A garota teria continuado sofrendo com um mal que ninguém entendia o que era ou como tratar? 
      A segunda coisa é que, eu tenho uma missão e não devo ignorá-la. Eu devo fazer o que as deusas esperam que eu faça e não continuar fugindo de quem sou e o que devo e posso fazer. 
     A magia negra corrompe a alma humana e uma vez que você mergulha nela de cabeça, dificilmente há volta! Afinal, para que jogar limpo se você pode e sabe trapacear? Para que perdoar se você humilhar? É esse pensamento que obscurece as almas de muitas pessoas que conheço. Não posso salvar minha avó, porque já é tarde demais para ela, mas minha mãe eu tenho salvado há tempos, mesmo sem ela saber e vou continuar salvando-a e salvando a mim mesma porque eu escolho o caminho da luz. Escolho ser uma wicca!

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