sábado, 17 de março de 2012

Sereias


  As sereias são as mulheres- pássaros segundo as fontes gregas, e as mulheres- peixes segundo as fontes nórdicas, que simbolizam principalmente os perigos do oceano e a morte no mar. Narrações posteriores tornaram-nas mulheres jovens vivendo no mar, sem a conformação de peixe (é o caso da siren inglesa, diferente da mermaid, que tem cauda de peixe), como as mulheres do mar das lendas bretãs, que são uma espécie de fadas marinhas. Para a mitologia grega, elas viviam em uma ilha do Ponnant, perto da ilha da feitiçeira circe; mas o cadáver de uma delas, Partênope, foi encontrado na Campânia e deu nome à cidade que hoje se chama Nápoles (antiga Partênope).
   Na antiguidade, as sereias eram também invocadas no momento da morte, por isso, muitas estátuas que as representavam eram encontradas nos sepulcros . Deve se acrescentar que se acreditava realmente na existência das sereias (como os católicos acreditam em anjos), sendo conhecidas várias histórias de sereias vivas. A obra literária mais antiga que existe sobre elas se encontra na " Odisséia" de Homero, escrita no ano de 850 A.C, na qual o herói Ulisses, alertado pela feitiçeira Circe, não cai prisioneiro de seus encantos, ao passar próximo a ilha onde habitavam, tapando os ouvidos dos marinheiros e fazendo-se atar no mastro do navio. Desde então, as sereias passaram a ser um símbolo mitológico das artes da sedução e da atração feminina. Segundo essas crenças, as sereias não só seduzem os homens para dar-lhes a morte, mas a sua aparição também era anúncio de tempestades de desatres.
  O históriador romano Luciano ( século II D. C.) já se referia a uma extraordinária figura pisciforme como deidade oceânicas. Segundo algumas crônicas, no ano de 558, uns pescadores de Belfast Lough- Irlanda do norte, ouviram o canto de uma sereia e foram pescá-la com suas redes. Conseguiram resgatar uma sereia que se chamava Liban, filha de Eochaidh, na praia de Ollarbha,na rede de Beon, filho de Inli. A colocaram num aquário, do mesmo modo que um peixe e ali ela permaneceu por durante 300 anos. Durante esse tempo, desejou ardentemente por sua liberdade. Uns monges piedosos resolveram libertá-la, mas antes a batizaram segundo o rito cristão, dando-lhe o nome de Murgen, o que significa " nascida do mar". Depois desejou a morte para sua salvar sua alma. Desde o dia que morreu ficou conhecida como a Santa Murgen, aparecendo com essa denominação em certos almanaques antigos e no santoral irlandês, sendo atribuídos à ela vários milagres. Você já tinha ouvido falar numa sereia santa? pois não é frenqüente essa simbiose entre o paganismo e o cristianismo. Em algumas descrições célticas antigas, as sereias tinham um tamanho monstruoso, apresentando quase 18 metros de altura. Essas medições foram possíveis porque elas penetravam pelos rios e podiam se encontradas em lagos de água doce.

Segundo acreditavam os antigos marinheiros, as sereias eram interessadas no líquido seminal e no sangue humano. Essas criaturas teriam a capacidade de, com seu canto melódico e hipnótico, obrigar homens e mulheres a manter relações sexuais com elas.
 Há ainda a ideia de que elas sejam carnívoras, e por isso se alimentem da carne de vítimas que conseguem atrair para o  fundo das águas. Ela encantaria o marinheiro ou qualquer um para que a pessoa entrasse na água, e uma vez que isso ocorresse, ela o mataria afogado e comeria sua carne. Há um filme chamado Floresta dos condenados (forest of the damned), que conta  que as ninfas foram expulsas do paraíso após serem contaminadas pelas emoções humanas de sensualidade e desejo, e se abrigaram na antiga floresta Miranda, atraindo vítimas desprevenidas com sua beleza, seduzindo-as e matando-as cruelmente (devorando-as vivas). O filme é legal e vale dar uma conferida.



Lugares onde aparecem as sereias:


Cantábrico, que banha a costa norte da Península Ibérica, já teve a fama de ser um mar muito povoado por sereias. No ano de 1147 uma grande expedição marítima levou um exército cristão do norte da Europa à Terra Santa, no começo da segunda cruzada. Por uma carta que se conserva na biblioteca do Colégio de Cristo da Universidade de Cambridge, escrita pelo cruzado Osbone, sabemos que sua frota saiu do porto de Dartmouth, ao sudoeste da Inglaterra " na sexta-feira anterior à Ascensão de Cristo", e que, várias jornadas depois, foi dispersada por um forte temporal um dia antes que pudessem alcançar o porto de mala- Rupis ( gijón). O relato de Osbone, traduzido por Jesus Evaristo Casariego, diz assim: " A noite que se seguiu ao temporal, apavorou todos os nautas, por mais serenos que fossem. Entre todos os perigos, escutamos os horríveis alaridos das sereias, que primeiro eram gritos de dor e logo de riso e gargalhadas, tal como se de seus castelos nos insultassem."
   Em 1.403, perto de Edam, nos países baixos, uma sereia passou por uma brecha em um dique e dois jovens a encontraram atolada no barro do canal, coberta de musgo e plantas verdes. Habitou em Haarlem até o dia de sua morte, depois de 17 anos. "Ninguém a compreendia", dizia Borges, " Porém lhe ensinaram a fiar e venerava como por instinto a cruz", razão pela qual foi enterrada em um cemitério cristão. Em 1658, foram vistas várias sereias na costa da Escócia, perto da desembocadura do rio Dee. A visão teve tal ressonância que o " Albedeen Almac ", converteu o local em ponto turístico, prometendo aos visitantes a presença de um grupo de preciosas sereias, criaturas conhecidas por sua beleza incomparável. Comprova-se assim, que a técnica da propaganda enganosa não foi invento do século XX. 
    No século XVIII um periódico inglês menciona como verdadeira a aparição de uma " mermaid " nas costas da Grã-Bretanha.
 Em 1728, o governador das ilhas Moluscas ( atual Indonésia ), Minher Van Der Stell, contou que havia visto " um monstro semelhante a uma sereia, junta a costa de Borneo, na província de Amboina", medindo aproximadamente 1,50 m. Permaneceu viva em terra, dentro de uma cuba cheia d'água quatro dias e sete horas, emitindo de vez em quando um sibilo débil, como uma ratazana.



Sereias multiformes:







As sereias, dentro de suas múltiplas habilidades, podem trocar de forma. A imagem mais comum na Antigüidade clássica, foi a de mulher ave, conhecida também como hárpia, para só na época medieval ser convertida em peixe. A sereia-hárpia, cuja imagem apresenta um rosto de mulher e o resto de uma ave rapina, personifica as tempestades e a morte, sendo encarregadas de raptar os seres humanos para logo oferecê-los ao deus do inferno. Esse ser aparece descrito por Homero e sobrevive na época de São Isidoro, mantendo-se inclusive até o século XII nas representações das Igrejas romanas, porém já não são vistas na arte gótica. Há também alguns relatos que uma sereia pode desintegrar sua cauda de peixe e converter-se em uma mulher de aspecto completamente humano. Para Nancy Arrowsmith, quando viajam pelo mar, só podem usar a forma de mulher peixe ou golfinho e se o fazem pelo ar, aparecem como gaivotas ou águias ( essa é uma qualidade mais próxima das Nereidas ). Sua altura habitual é um metro é meio. São muito belas e adoram jóias e pedras preciosas. Assim como as fadas, dormem durante todo o dia e somente é possível vê-las ao amanhecer ou no pôr-do-sol .


As sereias se encontram em todo o litoral do Mediterrâneo espanhol, mas também no Atlântico (aparecem na costa brasileira também), pois seus principais palácios estão próximos das ilhas Açores. Raras vezes são encontradas em mar aberto, pois gostam de aproximar-se das desembocaduras dos rios e das rochas da Costa. O pente de ouro e o espelho são seus atributos mais comuns, mas em algumas partes da Europa também usam um véu, uma bolsa e um cinturão. A posse de qualquer um desses objetos permite ter o controle sobre a sereia, podendo inclusive casar-se com ela.

   Dentro de suas características genéricas estariam o dom da profecia (que lhes permite proferir maldições), a sugestionabilidade de sua voz (que lhes permite hipnotizar através dela) e a necessidade de uma alma e filhos. Muitas são as lendas (Livro de Enoch) que dizem que as sereias tem sua origem no mundo humano, nos dando a comprovação da maldição proferida por uma mãe a sua filha. Seriam as sereias, nada mais do mulheres humanas em sua origem, mas que acabaram convertidas em espíritos da natureza. Este fato seria bastante significativo, pois explicaria várias de suas reações: buscam contato com o homem para casar-se com ele ou para matá-lo, buscam possuir uma alma (sentimentos) que perderam quando passaram para esse estado sobrenatural,podem converter-se com facilidade em mulheres com membros e aspectos humanos, não manifestam nenhuma aversão aos símbolos religiosos e sua estatura é maior que das fadas. O Francês Benoit de Mallet, publicou, no ano de 1755, uma volumosa obra dedicada as sereias, onde recolheu todo o tipo de lendas relacionadas a elas, chegando a conclusão que eram seres de uma raça humana primitiva, praticamente desaparecida, assinalando sua presença desde a Terra do fogo até Madagascar.


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