terça-feira, 26 de novembro de 2013

A mulher e a deusa na religião




A primeira manifestação da relação entre a mulher e religião foi a adoração da Deusa Mãe ou Mãe Terra, o primeiro sentimento religioso da humanidade, concomitante a estrutura social da sociedade matriarcal.

Pré-História e História Antiga


As civilizações antigas (Elam, Creta, Suméria, Egito, Babilônia, Grécia, Roma, entre outras) foram prolixas1 em cultuar a mulher e a feminilidade na figura de deusas (horas, erínias, moiras, musas), sacerdotisas (Enheduana, Diotima de Mantinea, Temistocléia) sábias, filósofas, matemáticas (Hipátia de Alexandria, Theano, Damo), pitonisas (Pítia), amazonas (ou guerreiras). Este culto insere-se dentro de um contexto social e religioso cujas raízes remontam aos registros pré-históricos do Paleolítico e do Neolítico ou ainda a uma fase informe do mundo, quando surgiu o primeiro sentimento religioso da humanidade, que era o de adoração à Deusa Mãe ou Mãe Terra : a religião se expressava pela adoração à Terra, às águas, à Natureza, aos ciclos e à fertilidade. Inúmeros autores consideram que o longo período, que se estendeu da Pré-história às civlizações pré-helênicas, e que foi caracterizado pela adoração à Deusa mãe, teria sido concomitante a uma estrutura social na qual o elemento feminino era preponderante, isto é, uma matriarcado.

Segundo J. J. Bachofen, a hipótese de clãs matriarcais pode ser confirmada pela descrição da trajetória da economia do período paleolítico (2.6 milhões de anos a 10.000 a.C.), caracterizado por caçador-coletor, isto é, atividade 80% de recolha daquilo que a natureza fornece espontaneamente. Esta atividade precede a revolução neolítica (10.000 a 3.000 a.C.) e a consequente sedentarização, que levou à consolidação das civilizações agrícolas pelas mulheres, do Egito e da Mesopotâmia, entre outras; a atividade belicosa da pecuária ou domesticação, período de consolidação do patriarcado, foi uma evolução posterior das civilizações.

Esta abordagem mítico-religiosa de uma religião matriarcal prevaleceu entre as civilizações antigas e nos respectivos mitos. Descobertas arqueológicas revelam a existência de arte rupestre e de estatuetas de culto ao corpo feminino, à fertilidade e com isso à noção de origem da vida e do mundo.As mais antigas noções de criação se originavam da idéia básica do nascimento, que consistia na única origem possível das coisas e esta condição prévia do caos primordial foi extraída diretamente da teoria arcaica de que o útero cheio de sangue era capaz de criar magicamente a prole. Acreditava-se que a partir do sangue divino do útero e através de um movimento, dança ou ritmo cardíaco, que agitasse este sangue, surgissem os "frutos", a própria maternidade. Essa é uma das razões pelas quais as danças das mulheres primitivas eram repletas em movimentos pélvicos e abdominais, que mais tarde ficaram conhecidos como dança do ventre. Muitas tradições referiram o princípio do coração materno que detém todo o poder da criação. Este coração materno, "uma energia capaz de coagular o caos espumoso" organizou, separou e definou os elementos que compõem e produzem o cosmos; a esta energia organizadora os gregos deram o nome de Diakosmos, a Determinação da Deusa.
Religião: da Deusa a Deus

Os egípcios, nos hieróglifos, chamaram este coração de ab ou ib esta palavra também foi usada para chamar de pai o Deus dos hebreus.Segundo alguns estudos, acredita-se que o patriarcalismo consolidado pelos hebreus deveu-se a diversos fatores: constantes deslocamentos territoriais e posterior necessidade de sedentarização, e com isso à divisão entre público e privado, além de organização militar e limites territorias, a atividade belicosa de pastoreio de gado bovino e caprino  , as constantes perseguições religiosas que desencadeavam o nomadismo e a perda de identidade territorial. A despeito da deliberação cultural para instituir uma cultura patriarcal, a etimologia revela que ab são as duas primeiras letras do alfabeto hebraico e grego, respectivamente: a=aleph e alpha ou no hebraico pai; e b=bet e beta ou no hebarico útero ou casa e é uma palavra feminina. A união destas compõe a própria palavra alfabeto ou A Palavra, ou o Verbo, segundo a Bíblia, ou o próprio Deus ou, dentro desta concepção hebraica, pai e mãe.

Segundo a religião egípcia, a parte mais importante da alma era o Ib (jb) ou coração. O Ib, ou coração metafísico, era concebido como uma gota do coração da mãe para a criança durante a concepção.Achados arqueológicos da iconografia egípcia retratam esta concepção com a imagem de uma pessoa que é encaminhada pela deusa Maat após a morte para a pesagem da alma. Assim, dentro de uma concepção egípcia, o ab é o coração da deusa ou mãe e o significado da palavra maat é Verdade.
Origens pagãs do Cristianismo
Ver artigo principal: Árvore da Vida (Bíblia)

Diversos autores modernos analisam a estória da criação do "Gênesis" sob uma perspectiva não-cristã a qual seria definir a Bíblia como uma narrativa alegórica sobre a divindade hebraica Yavé suplantando a religião da Deusa mãe, representada pela árvore da vida. Isto é demonstrado na passagem sobre a origem do pecado em que o conhecimento proibido relaciona-se a sexo, sexualidade e reprodução, especialmente o conhecimento de que os homens participam da reprodução e que a estória descreve o processo pelo qual sociedades matriarcais tradicionais foram substituidas por sociedades patriarcais.

Estes autores argumentam que várias religiões do Oriente Próximo representavam a Deusa mãe por uma serpente e outras por uma simbologia de comunhão realizada pelo ato de comer uma fruta de uma árvore que crescesse perto do altar dedicado à Deusa; estes cultos pagãos seriam a fonte histórica da narração bíblica.
Reia, para os gregos, a mãe de todos os deuses, ladeada por dois leões; a palavra significa terra ou fluxo (referindo-se ao sangue menstrual).
Cibele da Anatólia, Divindade no trono e ladeada por duas leoas, do sítio arqueológico de Çatalhöyük.

Inúmeros sítios arqueológicos da pré-histórica às civilizações pré-helênicas, tal como registrada no sítio de Çatalhüyük, e a mitologia pagã confirmam esta origem do culto à´Deusa mãe. A estatueta feminina que ficou conhecida como a Cibele da Anatólia, datada de 6.000 a.C., exibe uma Deusa Mãe corpulenta e em aparentemente processo de dar à luz. Sentada num trono e ladeada por duas leoas, a estatueta foi encontrada num compartimento de estocagem de grãos, o qual, segundo arqueólogos, sugere uma maneira de proteger (como um amuleto, ou objeto de cunho religioso) a colheita ou o suprimento de alimentos. As pegadas do culto à Deusa mãe são assim encontradas desde épocas imemoriais até os tempos áureos das civilizações antigas.

As mais recentes descobertas de uma religião humana remontam inicialmente ao culto aos mortos (300.000 a.C.), e ao intenso culto da cor vermelha ou ocre associado ao sangue menstrual e ao poder de dar a vida. Na mitologia grega, a chamada mãe de todos os deuses, a deusa Reia (ou Cibele, entre os romanos), também representada pela imagem de uma mulher ladeada por duas leoas, exprime este culto na própria etimologia: Reia significa terra ou fluxo. Campbell argumenta que Adão, do hebraico אדם relacionado tanto a adamá ou solo vermelho ou do barro vermelho, quanto a adom ou vermelho, e dam, sangue, foi criado a partir do barro vermelho ou argila. A identidade da religião com a Mãe terra, a fertilidade, a origem da vida e da manutenção da mesma com a mulher, seria, segundo Campbell, retratada também na Bíblia: a santidade da terra, em si, porque ela é o corpo da Deusa. Ao criar, Jeová cria o homem a partir da terra [da Deusa], do barro, e sopra vida no corpo já formado. Ele próprio não está ali, presente, nessa forma. Mas a Deusa está ali dentro, assim como continua aqui fora. O corpo de cada um é feito do corpo dela. Nessas mitologias dá se o reconhecimento dessa espécie de identidade universal.

Segundo Walter Burkert, um dos mais respeitados arqueólogos da Antiguidade: As deusas do politeísmo grego, tão diferentes e complementares, são ainda assim consistentemente similares numa etapa inicial, com uma ou outra simplesmente convertendo-se em dominante em um santuário ou cidade. Cada uma é a Grande Deusa presidindo sobre uma sociedade masculina, cada uma é representada em seu aspecto de Potnia Theron ou 'Senhora dos Animais', incluindo Hera e Deméter. Ou ainda: Em particular, parece que uma antiga deusa grega, especialmente 'qua' 'Senhora dos Animais' foi individualizada na Grécia sob várias formas, como Hera, Ártemis, Afrodite, Deméter, e Atena; e acrescenta: A idéia de uma Senhora dos Animais é amplamente disseminada na Grécia e é muito possível que tenha origens no Paleolítico; na religião oficial grega isso sobrevive no minimo para além do folclórico (Burkert 1985, p. 154, 172).

Do matriarcado ao patriarcado


A mitologia grega apresenta Apolo matando asacerdotisa Píton, e dividindo seu corpo em dois, como uma ação necessária para se tornar dono do oráculo de Delfos28 . Na mitologia babilônica a morte da deusa Tiamat pelo deus Marduk, que divide seu corpo em dois, é considerada um grande exemplo de como correu a mudança de poder do matriarcado ao patriarcado: "Tiamat, a Deusa Serpente do Caos e das Trevas, é combatida por Marduk, deus da Justiça e da Luz. Isto indica a mudança do matriarcado para o patriarcado que obviamente ocorreu".
    

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Você sabe o que é feitiçaria?

     Feitiçaria designa a prática ou celebração de rituais, orações ou cultos com ou sem uso de amuletos ou talismãs (objectos ao qual são atribuídos poderes mágicos), por parte de adeptos do ocultismo com vista à obtenção de resultados, favores ou objectivos que, regra geral, não são da vontade de terceiros.

Pode estar relacionada com cultos às forças da natureza ou aos antepassados já falecidos, sendo que está também frequentemente relacionada com o uso de artes consideradas mágicas, à invocação de entidades , como por exemplo, espíritos, deuses, gênios ou demônios, ou o emprego de diversas formas de adivinhação.

Os praticantes e líderes da feitiçaria, designados de feiticeiros, gozavam de uma considerável influência social em diversas comunidades, sendo encarados como líderes religiosos ou conselheiros.

Xamanismo



Nas culturas xamânicas, o xamã (sacerdote feiticeiro) se diferencia dos demais magos, curandeiros ou feiticeiros, pela forma de comunicação com o Mundo dos Espíritos. Num estado de transe, o xamã transporta-se para outros planos (o chamado “voo mágico”), enquanto os outros invocam os Espíritos para seus rituais e trabalhos mágicos. O xamã é escolhido por um “chamamento”, por herança ou por aprendizagem. Logo após a sua escolha, entra num estado alterado de consciência similar ao coma profundo, no qual é levado para a caverna dos antepassados. É então concedido a ele o direito de cura de todas as doenças.


Vodu


O Vodu é uma tradição afro-derivada recheada de elementos de feitiçaria vudu, ao passo que cultuam os lwas (da categoria Rada, equivalentes des Orixás), também reconhecem deidades nativas das terras do Haiti (da categoria Petro), estando acima destas categorias o Casal Supremo, Dambalah e Aiyda Wedo, as duas serpentes celestiais. Vários elementos da feitiçaria européia encontram solo comum nesta tradição, em uma influência de mão dupla. A imagem preconcebida de que o Vudu é apenas um conjunto de rituais de “magia negra” foi propagada por colonizadores europeus e, mais tarde, pela indústria de Hollywood, tanto por racismo como por sensacionalismo. Os rituais de invocação de demônios por parte de algumas pessoas, são considerados um desvio da realidade.

Conceito de feitiçaria conforme a Bruxaria


Feitiço é o gênero de magia cujo objetivo é interferir no estado mental, astral, físico e/ou na percepção que outra pessoa tem da realidade. O uso de forças, entidades e/ou energias não pertencentes ao plano físico para interferir no plano físico é magia mas não é feitiçaria, tendo fins muito diversos da interferência no estado mental, astral, físico e/ou na percepção que o sujeito tem da realidade. Cumpre ainda acrescentar que, sendo um dos princípios lapidares da bruxaria jamais interferir no livre-arbítrio de outrem, a feitiçaria deve ser utilizada exclusivamente para fins curativos e, sobretudo, para recuperação em casos de depressão em que a vítima não tem condições de agir por si. Enfeitiçar para fins egoístas consiste, portanto, em mau uso desta prática, geralmente ocorrendo como resultado da usurpação de algum conhecimento sagrado por pessoas pouco evoluídas espiritualmente e não ligados a nenhuma Tradição Bruxa.

Nos dias atuais, devido à sua eficácia, a Feitiçaria vem sendo utilizada por inúmeros segmentos religiosos, tanto para as denominadas religiões como para as denominadas cultos... A partir do século IXX, a Feitiçaria deixou de ser praticada com exclusividade e acabou se incorporando a outros segmentos cuja doutrina é semelhante à sua prática; No Brasil temos grandes Mestres da Feitiçaria, sendo que alguns levam uma vida aparentemente comum, praticam a Feitiçaria de forma oculta; Dentre alguns nomes conhecidos da Feitiçaria podemos citar Maga Magali, Maga Athalanta, Maga Lúmina-Ra, Mago Vitor Jadim, Mago Barão, Mago Magnus e Mago Excelco; Nas práticas atuais a Feitiçaria é utilizada para alcançar auxílio na saúde, na vida profissional, social, amorosa e até mesmo para resolver problemas familiares, totalmente diferente do que era praticado quando surgiu e era praticada por Feiticeiros que se dedicavam única e exclusivamente à sua pratica.


Perspectiva do Espiritismo


Segundo o Espiritismo a Feitiçaria é um culto com raízes africanas.

Creem que a feitiçaria não foge ao domínio das forças naturais, sendo os ditos feiticeiros homens dotados de capacidades psíquicas e que sempre são auxiliados por espíritos, em geral de grande poder magnético, mas de moralidade inferior. Os espíritos que atuam nos rituais de feitiçaria influenciam poderosamente nos resultados desses rituais, em que há troca de energias em ambos os planos. Os espíritos da feitiçaria atuam recebendo pagamentos que são: sangue de animais, bebidas, perfumes e uma infinidade de objetos que valorizam, apesar da dimensão incorpórea em que se encontram. São em geral espíritos arrogantes, agressivos e muito autoconfiantes.

Seus trabalhos, entretanto, não podem afetar pessoas que lhes sejam superiores em moralidade ou cercadas por forças espirituais de ordem superior. Os espíritos dessa ordem, ainda é preciso que se diga, resolvem suas questões muitas vezes mediante o enfrentamento de espíritos contrários que atuam no mesmo dimensionamento, podendo perder ou ganhar uma disputa (demanda, no jargão mágico), de acordo com as falanges que estejam ao seu alcance mobilizar. A associação com determinados médiuns, mais ou menos dotados de poderes magnéticos, a determinação e a firmeza com que se postam, ajuda a definir também o alcance das influências a que se entregam.
Existem grandes associações de feitiçaria no plano espiritual, tanto quanto existem na Terra. A feitiçaria pode ser classificada como uma ação de interferência no ritmo normal da vida a partir do plano extra-físico, já que aqueles que se entregam a ela sabem que o mundo espiritual determina em grande parte a dinâmica do mundo físico e que, de lá, fica às vezes bem mais fácil influir sobre as situações e as pessoas, pois se conta com a influência mental sutil e a invisibilidade em relação aos indivíduos no plano físico, os quais geralmente não possuem clarividência.

Stregheria, a bruxaria italiana



Stregheria é um termo usados para a antiga Bruxaria italiana, como também para se referir a um movimento moderno neopagão surgido na Itália e nos Estados Unidos a fim de resgatá-la. Na língua italiana, "Stregoneria" significa simplesmente Bruxaria.

Para algumas pessoas, a Bruxaria Italiana é tida como a "Velha Religião" (Vecchia Religione, em italiano), culto neopagão italiano com origens nos velhos mistérios Egeu-Mediterrâneos. A stregheria é uma religião iniciática imposta por diversos clãs, na maioria hereditários e extremamente herméticos.

Já para outras, a Stregoneria é simplesmente a prática de bruxaria de influências italianas, desvinculada de religião, já que para Bruxaria Tradicional a mesma não é considerada uma 'Religião' per se, mas sim um Ofício, uma prática de feitiçaria independente da religiosidade.

Cultos


O Culto das Streghe Neo-Pagãs centra-se na figura da Deusa Diana e seu irmão e Consorte Dianus. Mas este Culto, deve-se deixar claro, é aquele mantido por praticantes modernos, e não correspondem a Bruxaria Italiana como um todo. Deve-se dizer ainda, como demonstrativo da variedade de práticas e pensamentos ligados a 'Stregoneria' que há muitos Stregoni e Streghe que focalizam sua prática em Santos Católicos, enquanto há outros grupos e praticantes que se focam na figura do Diabo e demônios menores. Portanto, não é possível generalizar a 'Stregoneria' como uma prática única, ou como um único Culto.

Quando feito dentro de famílias ou em grupos de práticas, os rituais da Bruxaria Italiana também buscam a cura, a fertilidade e a prevenção ou quebra do mal olhado, também conhecido como malocchio ou jetattura, bem como o amaldiçoamento de seus inimigos e feitiçaria para diversos fins, sejam benéficos ou maléficos.

Dentro das tradições das streghe ocorrem também ritos solares, obedecendo tanto às estações do ano, quanto à ciclos de plantio e colheitas nas diferentes regiões da Itália.


Segredos e práticas


Os streghe ou bruxos se reúnem às noites de lua, dependendo de seu crescente ou declínio, e nos dias de sol intenso. À lua cheia são revelados os mistérios da tradição, enquanto os rituais solares são voltados para a adoração e a iluminação, e ainda o contato com a natureza, tão importante para nós. Os elementos têm muita importância para os streghe, e uma das práticas secretas é a Arte das Transmutações, em que se utiliza o magnetismo do olhar para impregnar pessoas e coisas, como os benzedeiros chamam de "Luz nos Olhos" ou "Olhar de Fogo", para os bruxos. O Brilho do olhar pode ser usado para o bem ou mal, mas a maioria dos streghe utilizam o fogo (para libertaçao) e a água (para purificação), visualizando o corpo em questão cheio destes elementos. A stregaria também mantém contato com espíritos familiares, elementais, anjos e devas, etc., mas tudo com objetivos definidos, sejam materiais ou de desenvolvimento espiritual. Muitas tradições que se voltaram para o cristianismo mantiveram o simbolismo strega pelas gerações, e hoje constituem alguns dos principais grupos mantenedores da stregaria no Brasil. Apesar de misturada e muitas vezes enraizada no Cristianismo esotérico e no hermetismo, a stregaria mantém suas antigas tradições e rituais mediterrâneos, que morrem com os membros, mas cedo ou tarde retornam na família, através de sonhos, inspirações e até mesmo uma curiosidade.

Stregheria revelada


A Stregheria passou a ser conhecida graças ao folclorista Charles G. Leland, que no final do século XIX escreveu obras sobre o tema, entre as quais se incluem Aradia, Il Vangelo delle Streghe Italiane e Etruscan and Roman Remains in Popular Tradition. Leland conseguiu este material na Florença, onde mantinha contato com mulheres que se intitulavam Streghe (Bruxas em Italiano).

A maioria dos Clãs de Stregoneria são Politeístas, tendo um Panteão cheio de Deuses, Semi-Deuses e Raças de Espíritos, todos eles criados das deidades supremas que são Diana e Dianus. Alguns praticantes, no entanto, mantém seu culto firmado em algumas deidades, criando com elas uma espécie de aliança, não necessariamente sendo Diana e Dianus, embora, indubitavelmente eles sejam os mais cultuados.

As bases dos mistérios Stregonesci vieram principalmente de influências Etruscas. É importante lembrar, porém, que os romanos e assim, os ítalos tiveram muito contato com outros povos, dado à posição comercial e geográfica que os privilegiou em muitos momentos da história. Desta forma, desde os celtas que viveram no norte da Itália aos cultos e tradições trazidos pelos gregos que se instalaram na Magna Grécia, na Sicilia, influenciaram muito os modos, tradições e crenças das streghe, das fazedoras de magia, de curas.

Hoje, muitos praticantes de Bruxaria Italiana têm seus cultos e crenças enraizados também no Cristianismo e na cultura judaico-cristã, pois com a conversão dos romanos, muitos deuses e seus templos e cultos ganharam esse caráter, embora não tenham perdido sua essência e importância entre os praticantes recém-convertidos. Estes são atualmente aqueles que fazem suas curas em nome de Santa Luzia, São Miguel ou São Pedro, mas com magias e rezas, além do uso de ervas, plantas e especiarias.

Animulare, Tanarra, Janare, Strie, Strighe, Borde, Magare, Majare, Cogas, Masche, Basure são palavras sinônimas para "streghe" em diversos dialetos italianos. Foram erroneamentes tidas como 'Tradições de Bruxaria', mas na verdade são apenas palavras de diversos dialetos.

Clãs e tradições de Stregheria


A Stregheria contém em si várias ramificações que são chamadas de Clãs ou Tradições. Um Clã é formado por um conjunto de regras, liturgias, mitos e práticas em comum, onde os Stregoni e Streghe estão ligados entre si pela linhagem.

Outros grupos ainda, não tem um nome específico porque se desenvolvem em regiões, como resultado das vilas daqueles locais, ou em famílias. Nem sempre as famílias abrem ou mesmo assumem suas práticas mágicas, religiosas ou espirituais, por isso são muito pouco conhecidas.

 Boschetto



Termo da Stregheria que indica um grupo de bruxos que realizam suas práticas juntos. Palavra derivada de bosco (bosque), local tradicional de encontro de bruxos. Semelhante ao Coven wiccano. O termo "Boschetto" não é muito utilizado nos Clãs de Bruxaria Italiana, sendo Congrega o termo mais comum e tradicional.

Deusa Aradia




Aradia (Herodias) é uma das personagens mais importantes da Stregheria (Bruxaria Italia), chamada de Strega Sagrada, nasceu em 11 de Agosto de 1313 d.C. em Volterra, Toscana, região Norte da Itália.

As tradições e folclore da Bruxaria Italiana contam que Aradia foi enviada a Terra por sua mãe Diana, a Grande Deusa das Bruxas e Fadas, para que ela ensinasse a Bruxaria aos homens e trouxesse o reflorescimento da Antiga Religião Pagã.

Aradia é considerada uma "Avatar" feminina; uma Deusa que encarnou na Terra para trazer a liberdade para as classes oprimidas pelo clero e pela nobreza.

Sua história foi contada de geração em geração pelos Clãs e famílias de Streghe.

Parte de sua história pode ser encontrada na obra do folclorista Charles G. Leland, Aradia, Il Vangelo delle Streghe Italiane.

Dianus Lucifero


    Dianus Lucifero é o antigo deus das bruxas italianas. Irmão, filho e consorte da deusa Diana, é o senhor da luz e do esplendor.

Lucifero ou Lúcifer é o antigo nome do deus Romano do Esplendor. senhor da Estrela Matutina e Vespertina. Foi posteriormente associado ao Diabo Cristão. Vale ressaltar que o Lúcifer (diabo) judaico-cristão, por seu pleomorfismos de atuações pode ser considerado o deus Lucifero, sob uma optica cristã.

Dianus Lucifero (Divino Portador da Luz) também é conhecido como Dis em seu aspecto de deus da Morte e do além Mundo e Lupercus em seu aspecto de Criança da Promessa, portador da esperança e da Luz.

Dianus Lucifero é dotado de três aspectos:

    O Cornífero: senhor das Florestas Selvagens e deus da Fertilidade, Sexualidade, Vida e Morte.
    O Encapuzado: senhor dos Campos e das Plantações. rei da Colheita e senhor da Flora; Rex Nemorensis; semelhante ao Greenman dos celtas.
    O Ancião: senhor da sabedoria e Guardião dos santuários.

O Culto da Stregheria ao deus Dianus Lucifero está intimamente ligado aos antigos Mistérios do deus Etrusco Tagni, e aos deuses Clássicos como Pã, Baco, Dioniso e Apolo.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Dias em que os Elementais aparecem nesse mundo



   Os elementais podem ser contatados em certos dias especiais do ano como nos Solsticíos, no hallween até o dia 02 de novembro (dia dos finados), no dia 11 de novembro (dia de São Martin), no dia de São João e no natal.
  A seguir, veja os dias de novembro e dezembro em que alguns espíritos caminharão entre nós.

24 de novembro - Elfa Berchta


Antiga comemoração de Berchta ou Percht, a Deusa Mãe da Alemanha e da
Áustria. Chamada de "Mulher Elfo", ela sobrevoava a terra envolta em seu
manto de neblina e fertilizava os campos e os animais. Como não tolerava
a preguiça, ela inspecionava os teares e, caso encontrasse algum
trabalho malfeito ou alguma casa em desordem, ela arranhava ou feria a
tecelã descuidada. Em suas festas, as pessoas comiam panquecas e bebiam
leite, deixando uma parte para Berchta. Ela vinha comer furtivamente e,
caso alguém espiasse, recebia como castigo uma cegueira temporária.
Ela desce nas noites entre 22 de dezembro e 6 de janeiro e percorre a terra em sua carroça, disfarçada, concedendo presentes a todos aqueles que foram generosos e punindo aqueles que foram preguiçosos.
Após o advento do cristianismo, ela foi convertida numa "bruxa" para as crianças nas histórias de contos de fadas.


1 de dezembro

Domojov

Dia dos seres elementais nos países eslavos.
 Os povos eslavos acreditavam na existência de vários tipos de elementais ou o "Pequeno Povo", como eram chamados nas tradições celtas.
 Os Domovoj eram os elfos caseiros; eles moravam atrás das lareiras nas casas que eles tinham adotado e eram extremamente leais às famílias que os abrigavam.
Os Bannik viviam nos banheiros e gostavam de encontrar uma vasilha com água
fresca colocada a seu dispor após o anoitecer.
Os Vazila cuidavam do cavalos e os Bagan, das cabras e das ovelhas.
Os Poleviki, os elfos dos campos, viviam nos trigais e prejudicavam as
colheitas se não recebessem agrados e respeitos.
Homenagens celtas para as Senhoras Verdes, os elfos que moram nos carvalhos, teixos, salgueiros, freixos, pimheiros ou macieiras.
Todas as árvores deveriam ser tratadas com respeito para que as Senhoras verdes não se ofendessem. Eram elas que davam a permissão para que os galhos fossem cortados ou os frutos colhidos.
Celebração de Pallas Athena, na Grécia e de Minerva, em Roma, a deusa da
sabedoria e da justiça.

3 de dezembro


Antiga comemoração de Airmid, a deusa irlandesa da cura. Embora pouco conhecida, Airmid era uma famosa curandeira, utilizando ervas e pertencia aos Tuatha de Danaan, grupo de divindades pré-celtas. Ela surgia vestida com um manto coberto de ervas e protegia todos aqueles que as utilizavam em curas.

5 de dezembro


Véspera de Sinterklaas, o dia de São Nicolau na Holanda, quando as crianças colocam seus sapatos ou botas de feltro nas janelas para receberem presentes do velho Sinter Klaas, transformado posteriormente em Santa Klaus; em troca, devem deixar cenouras e feno para seu cavalo. As crianças levadas recebem um feixe de galhos de salgueiro, pedaços de carvão ou um diabinho vermelho, enquanto que as boas ganham doces e brinquedos.
Esses costumes e os contos a els relacionados são reminiscências dos antigos rituais xamânicos.   

10 de dezembro


 Celebração de Danu ou Dana, a Deusa Mãe irlandesa, guardiã do conhecimento,
protetora das famílias e tribos, regente da terra, da água e da constelação de Cassiopéia, chamada Llys Don, a corte de Danu, em sua homenagem. A mais importante das antigas deusas irlandesas, Danu era a dirigente de uma tribo de divindades nomeada Tuatha de Danaan, o povo de Danu, que depois foram diminuídos (pelos mitos posteriores às invasões dos povos celtas) a uma classe de fadas chamadas Daoine Sidhe. Seu nome, Dan, significava conhecimento, tendo sido preservada na mitologia galesa como a deusa Don, enquanto que outras fontes equiparavam-na à deusa Anu.
Segundo as lendas, os Tuatha de Dannan, exímios magos, sábios, artistas e artesãos, foram vencidos pelos rudes e guerreiros Milesianos, retraindo-se nos Mundos Internos das colinas, chamadas "sidhe".
Festival romano Lux Mundi, dedicado à deusa Lucina, modernização na França como um festival dedicado à Deusa da Liberdade, com procissões de velas e orações de esperança.

11 de dezembro


Comemoração japonesa da deusa Yuki One, "A Donzela de Neve", o espírito da morte pelo frio. Ela aparecia para aqueles que tinham se perdido nas montanhas geladas como uma mulher pálida esilenciosa, cantando suavemente para adormecerem para que ela soprasse sobre eles o hálito
frio da morte.

12 de dezembro


 Angeronália, dia consagrado a Angerona, a deusa romana do silêncio, da ordem e do medo, que produz ou alivia. Suas estátuas representavam-na com um dedo sobre os lábios ou com a boca amarrada. Era invocada para guardar segredos ou vencer os medos, restabelecendo o equilíbrio. Alguns autores consideram-na a padroeira do inverno, dedicando-lhe a regência do solstício.
Sada, fetival zoroatriano do fogo celebrando a vitória das forças do bem e da luz sobre o male a escuridão.


18 de dezembro

 Nos países celtas, festejava-se a deusa eqüina Epona, cujo culto foi mantido pelos romanos e sincretizado ao da deusa romana Ops.
Epona era considerada, pelos romanos, como a protetora dos cavalos, enquanto Bubona era a proterora do gado. Epona era representada de três maneiras: cavalgando uma égua branca; em pé, cercada de cavalos ou deitada nua sobre um cavalo. Às vezes, segurava um cálice ou um prato redondo ou ainda uma cornucópia. Segundo algumas fontes, Epona oroginou um verdadeiro culto ao cavalo, cujas reminiscências são encontradas nas gigantes reproduções de cavalos em várias colinas calcárias da Inglaterra e na freqüência do nome Cavalo Branco para lugares, lendas (como a de Lady Godiva) e de "fantasmas" de mulheres a cavalo.
Epona detinha o poder sobre o ciclo da vida dos homens, do berço ao túmulo e por isso seus símbolos eram um pano branco e uma chave, que abria todas as portas do além.
Comemoração da antiga deusa eqüina irlandesa Etain, "A Veloz", a
 padroeira da magia e da cura. Etain era também uma deusa solar, padroeira irlandesa da medicina. Filha do deus da cura Dian Cecht, ela casou-se com Ogma, o deus da literatura e da eloqüência.

19 de dezembro


 Na China, as pessoas se reúnem nas cozinhas decoradas com flores, acendem velas, queimam incenso e festejam com pastéis, carne de porco e vinho de arroz, levando, depois, um pouco como oferenda para as árvores. Este dia é considerado muito favorável para noivados e casamentos.
Comemorações para as deusas romanas Sabina, da fertilidade e Orbona, a protetora das crianças órfãs ou com doenças terminais.
Dia dos Mortos no Egito. As pessoas deixam lamparinas acesas e comida nos túmulos em homenagem aos familiares falecidos.


Dias  25 de dezembro


No folclore alemão,  há uma lenda sobre uma bruxa chamada Lutzelfrau, que voava montada em sua vassoura levando infortúnios para aqueles que não a  presenteavam. De acordo com um antigo costume dos camponeses, neste dia as crianças usavam máscaras e iam de casa em casa pedindo dinheiro e doces em nome de Lutzelfrau. A origem desta lenda é a antiga celebração da deusa Perchta, a Mãe Terra, que era homenageada com oferendas para que proporcionasse um ano abundante e feliz.
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